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Senhora dos Afogados cumpre quinta temporada no teatro Arthur Azevedo até o dia 25 de setembro

Publicado por Eduardo Castanho no dia 13 de setembro de 2008Nenhum Comentário
Senhora dos Afogados cumpre quinta temporada no teatro Arthur Azevedo até o dia 25 de setembro

O musical Senhora dos Afogados faz a sua quinta temporada no Teatro Arthur Azevedo. A montagem do diretor Zé Henrique de Paula estreou no dia 21 de agosto de 2007, no Teatro do Centro da Terra. Passou depois pelo Teatro Imprensa e fez parte da Mostra Nelson Rodrigues, no Centro Cultural São Paulo. O texto de Nelson Rodrigues trata da mesma temática inaugurada por Álbum de Família, a primeira de suas chamadas “peças míticas” – o inconsciente primitivo, os arquétipos, os mitos ancestrais.

Nelson a incluía no rol de suas peças desagradáveis: “pestilentas, fétidas, capazes, por si sós, de produzir o tifo e a malária na platéia”. Escrita em 1947, foi interditada no ano seguinte e teve sua estréia apenas em 1954, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Com direção musical de Fernanda Maia, o canto torna-se elemento integrante da tragédia. “A inserção de dez canções brasileiras no tecido dramatúrgico da peça tem a função de acentuar seu caráter lírico. As músicas atuam como porta-vozes dos desejos e fluxos de pensamento dos personagens e ganham novos significados quando costuradas à ação dramática”, esclarece o diretor.

Entremeadas na concepção da peça, ecoam máximas de Nelson Rodrigues: “todo amor é eterno e, se acaba, não era amor”; “a família é o inferno de todos nós”. A força motriz da história é o amor vital, bruto, de pessoas que amam loucamente e por isso padecem em uma sociedade patriarcal de rígidos valores morais.
Conceitos freudianos, incestos – Senhora dos Afogados trata do mito grego de Electra, agora mesclado a outros valores. Além de uma releitura da tragédia grega de Ésquilo, o texto é também paráfrase da obra Electra Enlutada, do dramaturgo norte-americano Eugene O’Neill. A transposição da ação para fins do século XIX reforça ainda mais o atrito entre Impulso Vital e Convenção Social proposto por Nelson.

Um cortejo fúnebre abre o espetáculo. Mulheres do cais rezam e mantêm viva a memória de uma prostituta assassinada há exatos 19 anos, mesmo dia em que se casaram Misael e Dona Eduarda Drummond. No cortejo segue também essa “família de 300 anos”, em luto pela morte de Clarinha, filha do casal, levada por “um mar que não devolve os corpos e onde os mortos não bóiam”. Presentes “em todos os lugares, ao mesmo tempo”, os vizinhos cumprem função similar a do coro grego. Senhora dos Afogados conta com uma equipe de 31 pessoas, sendo 21 atores em cena, e explora o que há de poético e trágico nesse texto mítico.

Com protagonistas de ações exacerbadas, a história é contada sob o prisma das paixões humanas. Nesse sentido, a direção pesquisa e sublinha o paralelismo entre os universos de Nelson Rodrigues e Edvard Munch, pintor norueguês de obras fortemente simbólicas e um dos precursores do expressionismo. Munch é, como Nelson, um artista de obsessões, trabalhando recorrentemente sobre os temas da Vida, Amor, Morte e Melancolia. Ele calculava suas composições de modo a criar uma atmosfera tensa, que refletisse mais o estado de espírito e as condições psicológicas do que uma realidade exterior. De comum em suas biografias, estão a religiosidade familiar como elemento vital; em suas obras, a angústia e a tensão sexual. Com tais semelhanças de linguagem e conteúdo, Munch é referência capital na estética da montagem, não apenas em desenho de luz, figurinos e visagismo, mas impregnada no corpo e no imaginário dos atores. A fotografia do cartaz de divulgação da peça segue essa linha, com os personagens centrais replicando a obra “Death in the Sickroom”.

Serviço

Senhora dos Afogados
Duração: 110 minutos
Recomendação: 14 anos
Gênero: Tragédia Musical

Temporada de 6 de agosto a 25 de setembro
Quartas e quintas, às 21h

Ingressos: R$ 15, aceita cheque
Meia entrada para idosos, estudantes e classe teatral
Ingresso pela APETESP (www.apetesp.org.br) – R$ 5

Capacidade: 480 lugares

Teatro Arthur Azevedo
Avenida Paes de Barros, 955 – Mooca
Tel. (11) 2605-8007
Área externa para fumantes
Reservas pelo telefone (11) 3259-0898 de segunda a sexta, das 14 às 20h
Bilheteria abre uma hora antes do espetáculo
Estacionamento gratuito no local

Ficha técnica

SENHORA DOS AFOGADOS, de Nelson Rodrigues
Direção: Zé Henrique de Paula
Assistente de Direção: Fabrício Pietro
Direção Musical: Fernanda Maia
Preparação de Atores: Inês Aranha
Produção: Firma de Teatro
Coordenação de produção: Claudia Miranda
Cenografia e figurinos: Zé Henrique de Paula
Iluminação: Fran Barros
Músicos: Fernanda Maia (piano) e Kalyne Valente (violoncelo)
Adereços: Fernando Leite
Fotos: Roberto Mourão
Assessoria de Imprensa: Boca de Cena Comunicação
Elenco: João Bourbonnais (Misael), Einat Falbel (D. Eduarda), Marcella Piccin (Moema), Thiago Carreira (Paulo), Marcelo Góes (Noivo), Lourdes Giglioti (Avó), Alexandre Meirelles (Sabiá), Elber Marques (Vendedor de Pentes). Vizinhos: Diana Tropper, Fábio Redkowicz, Paulo Bueno e Thiago Ledier. Mulheres do Cais: Bárbara Bonnie, Bibi Piragibe, Carol Fioratti, Ci Teixeira, Claudia Miranda, Karin Ogazon, Kelly Klein, Maíra Gomes e Patrícia Vieira.
Realização: Núcleo Experimental da Cooperativa Paulista de Teatro

Confira um trecho da peça no vídeo abaixo:

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